sábado, 24 de novembro de 2012

Em um estudo recente publicado na revista Nature, cientistas construíram uma árvore evolutiva com 
todas as aves do mundo. Eles coletaram dados de 9.993 aves conhecidas no mundo e examinaram as 
relações evolucionárias gerando um árvore filogenética jamais elaborada. 

"Está é a primeira árvore evolutiva criada de uma classe de espécies deste tamanho colocada em um 
mapa do mundo", disse o co-autor do trabalho Walter Jetz, da Universidade de Yale em New Have, 
Connecticut (EUA). 

Muitas destas espécies não tiveram o seu DNA sequenciado, por isso o resultado é controverso. Para o 
biologista evolucionário, Trevor Price, da Universidade de Chicago en Illinois, "Esta é uma 
tentativa conceitual brilhante unindo tempo e espaço para elaborar uma filogenia completa". 

Em 2008, Jetz e seus colegas construíram um estudo filogenético extensivo que dividiu as aves em 158 
clados (ramos) usando como base: 10 fósseis e dados genéticos disponíveis de outras 6600 espécies. 
Para 3330 espécies restantes que não possuem dados genéticos, outros critérios foram utilizados. 

Os pesquisadores descobriram que embora tivesse ocorrido uma rápida radiação no tempo e espaço, a 
taxa de especiação cresceu nitidamente nos últimos 40 milhões de anos. 

Não obstante, Jetz disse que ele espera que a árvore suporte o teste do tempo. “Quanto mais dados 
sequenciais forem adicionados, alguns detalhes mudarão, mas eu não posso imaginar um caso onde em 
que descobertas fundamentais são viradas de cabeça para baixo” . “Isto certamente não é a última 
palavra sobre a filogenia das aves. Esperamos que este trabalho possa desencandear esforços 
adicionais para continuar a melhorar a nossa compreensão da árvore da vida das aves”
 Fonte:http://biologias.com/noticias/1313/cientistas-constrem-arvore-evolutiva-com-todas-as-aves-do-mundo

Acho interessante os cientistas fazeram algo do tipo porém deveriam focar em coisas mais importantes como descobrir curas para doenças e etc.

sábado, 10 de novembro de 2012


06/11/12
Opsinas evoluíram com menos mudanças genéticas do que se pensava 

As origens de evolução da visão são há muito tempo alvo de um longo debate, sobretudo devido aos relatórios inconsistentes das relações filogenéticas entre os animais que mais cedo possuíram opsinas. 

Estas proteínas sensíveis à luz e que são um elemento chave na nossa visão poderão ter evoluído mais cedo e com menos mudanças genéticas do que se pensava, sugere um novo estudo da University of Bristol. 
A investigação utilizou simulações em computador para chegar a uma imagem detalhada de como e quando as opsinas evoluíram, tanto nos animais como nos seres humanos. Os cientistas começaram por fazer uma análise computacional de todas as hipóteses de evolução das opsinas existentes até à data. A análise incorporou toda a informação genómica disponível de todas as linhagens de animais relevantes, incluindo um novo grupo sequenciado de Oscarella Carmela e os cnidários, animais marinhos que, acredita-se, possuíram os primeiros olhos do mundo. 

Utilizando esta informação, os investigadores desenvolveram um cronograma com um antepassado da opsina, comum a todos os grupos que apareceram há 700 milhões de anos. Esta opsina era considerada ‘cega’, mas ainda assim passou por mudanças genéticas durante os 11 milhões de anos em que transmitiu a capacidade de detectar luz. 

“A grande importância do nosso estudo teve como pano de fundo o facto de termos encontrado a mais antiga origem da visão, e que ela se originou apenas uma vez nos animais. Isto é uma descoberta fantástica porque implica que o nosso estudo descobriu, como consequência, como e quando a visão evoluiu nos seres humanos”, explicou Davide Pisani, um dos investigadores do estudo. 

fonte: http://biologias.com/noticias/1306/estudo-revela-como-e-quando-se-desenvolveu-a-visao-nos-seres-humanos

   É otimo saber que isto foi descoberto, já que este tema tem sido alvo de debate a muito tempo.

sábado, 27 de outubro de 2012


24/10/12
Machos copiam entre si serenatas ultrassónicas para atrair fêmeas 

Ratos machos são capazes de transmitir alguns silvos e chamamentos ultrassónicos muito parecidos com o chilrear dos pássaros. Estas melodias são utilizadas pelos roedores para atrair e seduzir as fêmeas, como se fossem serenatas de amor. 

Por muito tempo acreditou-se que esta habilidade era natural desses animais, já que não se considerava que pudessem aprender vocalizações, algo que parecia exclusivo de algumas espécies, incluindo os seres humanos, papagaios, aves cantoras e beija-flores. 
No entanto, uma nova e controversa investigação de neurobiologia da Universidade Duke sugere exatamente o contrário. Os autores estão convencidos de que os ratos não só podem cantar mas também aprender novas melodias e imitar outros. 

Os investigadores mostraram a capacidade de aprendizagem vocal dos ratos machos como parte de um projeto maior para estudar a evolução da fala humana. Na verdade, esperavam que as experiências falhassem, já que, se fossem bem sucedidas contradiziam a hipótese aceite há décadas que os roedores não são capazes de aprender as vocalizações. 

No estudo, os cientistas usaram pela primeira vez marcadores genéticos que iluminaram os neurônios no córtex cerebral de ratos enquanto estes cantavam. Quando duas cobaias macho foram colocadas na mesma gaiola com uma fêmea, o tom dos machos começou a convergir depois de sete a oito semanas. A experiência foi testada em mais de 14 ratos e repetida duas vezes para confirmar o resultado. Quando os neurônios no córtex cerebral dos ratos eram danificados, os animais desafinavam e não eram capazes de repetir as canções regularmente, o que também aconteceu quando se tornaram surdos. Além disso, descobriu-se que os rasgos cerebrais responsáveis pela vocalização dos ratos são muito semelhantes aos dos seres humanos. 

Os neurobiologistas da Universidade Duke reconhecem que são necessários mais estudos para confirmar até onde se estende a aprendizagem dos ratos. Os responsáveis acreditam que os resultados podem ser uma grande ajuda para os cientistas que estudam doenças como autismo, transtornos de ansiedade.
 

Eu resolvi trazer essa noticias ao blog porque é realmente muito interessante o método que estes ratos usam para seduzir as fêmeas e também mostrou que nao apenas pássaros fazem isso.

sábado, 20 de outubro de 2012


15/10/12
Evolução leva ser humano a adaptar-se e fazer uso dos seus recursos 

Uma equipe de especialistas da Universidade de Cambridge “prediz” que os nossos descendentes serão fisicamente diferentes, mais altos e com cérebros mais pequenos, dentro de mil anos. Devido a alterações no tipo de alimentação e à medicina o ser humano irá crescer gradualmente e as nossas extremidades (mãos e dedos) serão mais compridas. 

Os investigadores consideram que se deve às novas tecnologias e ao fato de estarmos sempre a teclar e a digitar. Os nossos dedos vão se desenvolvendo para reduzir a necessidade de chegar mais longe e as terminações nervosas também tendem a crescer devido ao uso frequente de dispositivos eletrônicos, como os iPhones, que necessitam de coordenação mão/ olho. Os pediatras referem que já se notam os dedos mais compridos em crianças que nasceram nos últimos tempos, comparativamente aos nossos antepassados. 

Já Darwin explicou que a seleção natural é um processo pelo qual características hereditárias que contribuem para a sobrevivência e reprodução se tornam mais comuns numa população, enquanto características prejudiciais tornam-se mais raras. Isto ocorre porque indivíduos com características vantajosas tem mais sucesso na reprodução, de modo que mais indivíduos na próxima geração herdam estas características. 

O antropólogo Chris Stringer, do natural History Museum, em Londres, explica que o nosso cérebro encolheu ao longo dos tempos porque não memorizamos tanto como os nossos antepassados, atendendo que os computadores e a internet nos permitem pesquisar tudo em segundos. 

Outra das previsões é o fato de termos menos dentes. Aliás, alguns indivíduos da nova geração já não têm dentes do siso, por exemplo, segundo notaram diferentes dentistas. A comida é mais mole e necessitamos de mastigar com menos intensidade. 

Os investigadores explicam que o declínio foi acontecendo ao longo dos últimos 10 mil anos e “culpam” a agricultura, e a nutrição mais restritas; a urbanização, que compromete a saúde e facilita a possibilidade de as doenças se espalharem pela população. 

A teoria emergiu a partir de estudos realizados em seres humanos fossilizados encontrados na África, Europa e na Ásia. Segundo Marta Lahr, uma das autoras e especialista em evolução humana, o cérebro masculino de há 20 mil anos media 1,5 decímetros cúbicos, o do homem moderno tem em média agora 1,35 decímetros cúbicos – uma redução equivalente a uma bola de tênis. O cérebro feminino foi encolhendo nas mesmas proporções. “Não significa que sejamos menos inteligentes – adaptamo-nos de forma a fazer o melhor uso dos nossos recursos”, referiu.
 

   Esta noticia é muito interessante porque mostra como e evolução funciona e também os seus beneficios, ou seja, suas adaptações.

sábado, 6 de outubro de 2012


Descobertos crânios com 500 anos em templo no México

05 de outubro de 2012  19h29  atualizado às 21h55
Um conjunto de 45 crânios humanos e cerca de 250 mandíbulas com 500 anos foi descoberto por arqueólogos do Instituto Nacional de Antropologia e História nas proximidades do Templo Maior da Cidade do México, informou um encarregado da instituição.
"Os crânios eram utilizados pelos antigos mexicas como elementos de consagração ou de fechamento de espaços arquitetônicos e para rituais ligados ao culto a Mictlantecuhtli, deus da morte", explicou esta sexta-feira durante entrevista coletiva Raúl Barrera, arqueólogo do Instituto. O depósito de crânios, explicou o pesquisador, foi encontrado na parte posterior da estrutura denominada cuauhxicalco (edifício cerimonial), "descoberta em 2011".
Debaixo desta estrutura também foi encontrada uma pedra de sacrifícios, a segunda localizada no sítio nos últimos 20 anos, e que possivelmente correspondia à etapa construtiva II, do Templo Mayor (1375-1427). "É possível que alguns dos 45 crânios que estavam sobre a pedra de sacrifícios tenham sido manipulados com a intenção de elaborar 'máscaras-crânio' que nunca foram concluídas", acrescentou.
Os crânios foram encontrados em bom estado, pois as condições de umidade facilitaram sua conservação, "embora tenham sido encontrados fragmentados pelo peso dos pisos e recheados de terra que levaram em cima, uma boa parte deles está completa e com possibilidade de ser montada e restaurada", disse a arqueóloga Estíbaliz Aguayo.
Os mexicas ou astecas formaram um povo que, após muitos anos de peregrinação, fundou, por volta do ano 1300, a grande Tenochtitlán, que hoje é o centro da capital mexicana.
   Isso mostra como nós ainda não temos conhecimento de tudo que o mundo pode nos apresentar.

sábado, 29 de setembro de 2012


25/09/12
Monstro pré-histórico trazido à vida em 3D
Monstro pré-histórico trazido à vida em 3D 

Uma equipe de investigadores da Universidade do Texas, em Austin (EUA) – em colaboração com uma empresa dinamarquesa, especializada em criar bonecos e modelos de animais vivos e já extintos –, fez uma reconstrução tridimensional (3D) de um molusco pré-histórico, baseando-se num fóssil. 

O animal corresponde a um ‘multiplacaphoran’ (da espécie Protobalanus spinicoronatus) com cerca de três centímetros, tem formato oval e vivia em ambientes marinhos. O fóssil a partir do qual se baseou a recriação tem mais de 390 milhões de anos e foi descoberto em 2001 em Ohio e doado ao Museu de História Natural de Cincinnati. 

Segundo os investigadores, quando um espécime é tão pequeno torna-se difícil perceber a sua morfologia ou estrutura e, por isso, em vez de criar uma versão de tamanho real, a equipa alargou o fóssil até 12 vezes, de forma a que seja mantido na palma de uma mão. 

O autor do estudo, o paleontólogo Jakob Vinther, utilizou uma técnica de micro-tomografia computadorizada para criar uma versão 3D do molusco, originalmente coberto por pedras. As impressoras tridimensionais usam modelos de computador como guia, enquanto as máquinas vão dispondo várias camadas de um material suave que vai gradualmente endurecendo. 

A equipa de Vinther considera que o ‘multiplacophoran’ foi parente distantes de moluscos existentes nos nossos dias e chamado de quítons – as cores da recriação 3D são baseadas neste ser marinho.
 

Isso mostra como a técnologia pode ser útil para desvendar mistérios do passado.

sábado, 22 de setembro de 2012


Não é com alegria que o astrofísico Neil deGrasse Tyson prevê que o turismo se tornará no futuro o maior responsável pelas missões tripuladas para o espaço. O diretor do Planetário Hayden, no Museu Americano de História Natural, em Nova Iorque, constitui-se de um dos mais premiados cientistas americanos, um dos maiores entusiastas da ciência como motor de desenvolvimento econômico e social e um dos grandes críticos do corte de verbas da agência espacial americana, a Nasa.
Tyson prevê: "Robôs vão continuar a explorar os planetas, luas e asteroides, mas as pessoas não vão participar, a menos que as culturas reconheçam o valor da exploração do espaço, como uma espécie de mola propulsora de inovação que serve à saúde de uma economia", acredita. "Provavelmente haverá colônias na Lua e em Marte, mas que serão conduzidas pelo turismo, e não por pesquisa".
Difundir a importância da exploração espacial e da ciência em geral é uma de suas missões. Em cada programa de televisão que aparece, o Tyson faz questão de tirar dúvidas e suscitar a curiosidade dos espectadores a respeito de asteroides, viagens espaciais e partículas químicas. Utilizando-se de redes sociais, como Reddit, e uma linguagem acessível e bem-humorada em suas explicações sobre o universo, ele busca popularizar a ciência: "Quando a aprendizagem deixa de ser divertida, ela torna-se dolorosa, e a gente para de aprender".
Referência quando se trata de astronomia, Tyson possui dez livros publicados sobre o assunto. O último foi lançado em fevereiro deste ano e é dedicado à exploração do espaço: Space Chronicles: Facing the Ultimate Frontier. Ele também colaborou com a Nasa em projetos sobre o futuro da exploração espacial e recebeu a maior condecoração dada a um civil, a Distinguished Public Service Medal.
No momento, Tyson está trabalhando em uma refilmagem da série de TV Cosmos, realizada pelo astrônomo Carl Sagan na década de 1980. A série, com 13 episódios, deve ir ao ar pela FOX em 2013. Tyson é tido por muitos como o substituto de Sagan. "Uma honra ser considerado na mesma frase", enfatiza o cientista. Confira a seguir a entrevista completa, concedida com exclusividade ao Terra:
Terra - Você é um grande fã do Isaac Newton. Para uma pessoa que não sabe a importância de Newton, que só ouviu falar na escola - o cara da maçã -, o que você falaria? Como explicar sua importância?
Neil deGrasse Tyson - Newton permitiu que a civilização fizesse a transição de ver a natureza como um lugar místico, além da compreensão da mente humana, para um lugar conhecido, em que podemos usar as leis da física para prever o comportamento da própria natureza. A revolução industrial não teria sido possível sem esta transição.
Terra - No que se refere à exploração do Sistema Solar, como você acha que ela estará daqui a 50, 100 e 200 anos?
Tyson - Quase não há investimento na propulsão do futuro: unidades de antimatéria, propulsão iônica, etc. Portanto não há razão para pensar que o Sistema Solar ficará menor. Robôs vão continuar a explorar os planetas, luas e asteróides, mas as pessoas não vão participar, a menos que as culturas reconheçam o valor da exploração do espaço, como uma espécie de mola propulsora de inovação que serve à saúde de uma economia. Provavelmente haverá colônias na Lua e em Marte, mas que serão conduzidas pelo turismo e não por pesquisa. O mesmo vale para visitas a asteroides, que serão movidas por interesses de mineração, e não de exploração.
Terra - As verbas da Nasa estão cada vez mais ameaçadas. A cada ano, elas caem mais. Diminuir essa verba é uma decisão adequada?
Tyson - As pessoas (os americanos) não reconhecem o valor total da Nasa para a economia. Trata-se da criação de uma nação inovadora, que tem o desejo incessante de sonhar com um amanhã que somente a ciência e a tecnologia podem trazer. E é aí que estão as sementes da economia do século 21.
Terra - É muito comum se deparar com pessoas que acham que o investimento em ciência básica é inútil. Elas acreditam que mandar uma sonda para Marte é um desperdício de dinheiro. Qual é a importância da ciência básica? Por que se busca uma partícula elementar ou se manda uma sonda para analisar a geologia de Marte?
Tyson - Cada máquina com um interruptor on-off em um hospital, trazido para o serviço de diagnosticar a condição do corpo humano, sem precisar cortar para abrí-lo, é baseado em um princípio da física, descoberto por um físico que não tinha interesse em medicina. Isso inclui todo o departamento de radiologia: máquinas de raios X, tomografias, tomografia computadorizada, ressonância magnética, eletrocardiogramas e eletroencefalogramas.
Enquanto isso, na década de 1930, Albert Einstein escreveu uma equação que permitiu que o laser fosse inventado. E podemos ter certeza de que ele não estava pensando em códigos de barras e cirurgia a laser na época. Então, negar o financiamento da ciência básica é arriscar seu futuro como participante no cenário mundial de tecnologia e inovações.
Terra - Muitos cientistas se declaram religiosos, mas muitos outros dizem que a religião atrapalha e freia a ciência. Por outro lado, muitos religiosos apoiam a ciência, enquanto outros criticam as pesquisas porque vão contra suas crenças. Ciência e religião podem coexistir pacificamente?
Tyson - É um fato empírico de que a ciência e a religião podem coexistir, porque ela coexiste em muitos cientistas e pessoas treinadas em ciência. Contudo é bastante revelador perceber que os percentuais de cientistas que são religiosos variam conforme o campo de estudo. Os menores são biólogos, físicos e astrofísicos, e os mais elevados são matemáticos e engenheiros. Assim, as profissões que estão mais próximas das operações da natureza são menos representadas entre cientistas religiosos.
Mais importante, os cientistas religiosos que são bem-sucedidos não usam a bíblia como referência para suas ideias sobre a natureza. Então, não se pode colocar junto os cientistas religiosos de sucesso com os fundamentalistas religiosos, que afirmam que Deus criou o universo em seis dias e que o mundo não tem mais do que 6 mil anos de idade. Eles não são a mesma comunidade de pessoas. Se você afirma que o seu texto religioso revelado é também uma cartilha sobre as operações da natureza, então você vive uma vida de conflito com a ciência.
Terra - O que você acha do trabalho do ex-mágico James Randi e do cientista Michael Shermer? Ambos defendem o ceticismo. Você se considera um cético também?
Tyson - Qualquer cientista também é um cético - que é como a ciência progride. Uma pessoa que não é cética está pronta para ser explorada por pessoas que têm algo a vender.
Terra - O governo brasileiro tem um grande programa de investimento em educação científica, chamado "Ciência Sem Fronteiras". A ideia é enviar estudantes brasileiros às universidades líderes no mundo e melhorar a qualidade da pesquisa e da educação no País. Você acha que esta é a solução? 
Tyson - Uma ideia interessante. Ela certamente não pode machucar. Mas eu sempre abracei soluções heterodoxas para esse desafio. Você não pode fazer as pessoas se interessarem por ciência. Elas precisam se sentir compelidas a partir de dentro. Concordo com uma cultura aeroespacial ativa porque estimula a inovação em todos, mesmo quando você não está diretamente no campo aeroespacial. Isso porque os avanços na indústria aeroespacial tendem a ser mais púbicos do que avanços em outros campos. O Brasil tem a terceira maior indústria aeroespacial do mundo. E, na última vez que verifiquei, foi o inventor de um avião que podia funcionar com álcool.
A Embraer também domina os mercados de companhias aéreas regionais nos EUA. Esses tipos de inovações têm o poder de inspirar em um nível que não requerem programas para que as pessoas fiquem interessadas em campos STEM (na sigla, em inglês), que compreendem Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática.
Terra - Muitos criticam o programa, por exemplo, por excluir as ciências humanas e por ter sido feito muito rápido, sem um planejamento detalhado. O que você acha disso?
Tyson - Isso depende do porquê estão fazendo isso. Nada constrói "novas" economias como as inovações em ciência e tecnologia. Isso é conhecido desde a revolução industrial.
Se você está fazendo isso para estimular uma cultura mais "arredondada", então as artes precisam aterrissar bem ao lado das ciências. Enquanto a arte raramente leva a novas economias (com excessão onde a ciência tem permitido às artes expressar-se de uma nova forma), as artes podem impulsionar o turismo e enriquecer a vida de uma nação civilizada de todas as formas intangíveis, que contribuem para o porquê de alguém querer viver em um país e não em outro, e por que algumas pessoas, quando se mudam para lá, quererem ficar.
Terra - E você acha que este programa pode ajudar o Brasil a ganhar o Prêmio Nobel de Física, algum dia? Quais são as chances do Brasil?
Tyson - Minha escola (Escola Superior de Ciência do Bronx, em Nova York) conta sete prêmios Nobel entre seus graduados. Tudo em física. Este é um motivo de orgulho entre nós. E ele traça para uma cultura de pessoas que querem fazer ciência - que são obrigados a fazer ciência, porque eles veem quase diariamente o que a ciência pode fazer para a saúde, a riqueza e a segurança de uma nação.
Os avanços da era Apollo alteraram a mentalidade dos americanos. E este grupo de laureados estava entre eles. Eles se formaram no colegial, entre 1947 e 1966. Os EUA quebraram a barreira do som em 1947. O programa Apollo foi anunciado em 1962. Nós pousamos na lua em 1969. A nossa presença no espaço era uma força da natureza em si.
Terra - Como você vê sua popularidade crescente em redes sociais como Reddit? A internet tem força para popularizar a ciência?
Tyson - Sim. Mas a internet também tem o poder de popularizar a não ciência tão bem quanto o absurdo. Então, eu estou feliz em ser um participante, mas os desafios permanecem para aqueles que se preocupam com a alfabetização científica.
Terra - Em suas entrevistas, você sempre fala sobre ciência com bom humor, explicando os assuntos de forma divertida e fazendo piadas. Você acha que essa é uma forma de manter as pessoas mais interessadas? Elas entendem melhor a ciência dessa forma?
Tyson - Quem aí não gosta de rir? Quando a aprendizagem deixa de ser divertida, ela torna-se dolorosa e a gente para de aprender. E, além disso, acontece que eu acho o universo hilário.
Terra - Qual a influência de Carl Sagan em sua vida e no seu trabalho?
Tyson - Eu conheci ele enquanto estava no ensino médio. E nos encontramos várias vezes depois disso. Ele nunca foi meu mentor, como alguns têm presumido. Mas o meu primeiro encontro com ele foi eterno. Ele passou um tempo comigo - um aluno que ele nunca havia conhecido - simplesmente porque ele tinha ficado sabendo do meu interesse em astrofísica. Daquele momento em diante, eu passei a encontrar tempo para alunos que eu nunca havia visto antes, da mesma forma como Carl deu seu tempo para mim.
Terra - Muitas pessoas dizem que você é o substituto dele, o novo Carl Sagan, o novo porta-voz dos astrônomos. O que você acha disso?
Tyson - Uma honra ser considerado na mesma frase. Temos uma forte sobreposição em nossas declarações de missão pessoais, embora ele fosse muito mais vigilante no combate à pseudociência.
Terra - Com a morte de Armstrong, muitos relembraram seu grande feito, de ter sido o primeiro homem a pisar na lua, em 1969. Qual foi de fato a importância da chegada do homem à Lua? 
Tyson - A morte de Armstrong é especialmente importante não porque ele pousou na Lua e deu os primeiros passos, mas porque, três anos depois, nós paramos de ir, e toda a era está recuando rapidamente para o passado, sem nada para mostrar desde então. Isso torna a morte de Neil Armstrong uma tragédia a lamentar mais do que uma vida para comemorar.
Terra - Há quem diga que a China será o próximo país a conquistar a Lua. Você acredita nisso? E que importância esse feito teria hoje?
Tyson - A China provavelmente vai realizar esta façanha. Eu não me preocupo com quem "deve" fazê-lo. Eles têm sido coerentes com as suas promessas e suas realizações no espaço. Então, eu não tenho nenhuma razão para duvidar de seus planos para os "taikonautas" visitarem a Lua em um futuro próximo.
Terra - Como estamos nos preparando para o dia 13 de abril de 2036? Quais seriam as consequências previsíveis do impacto do asteroide Apophis na Terra? (O asteroide tem 1 chance em 250 mil de atingir a Terra. Como lembra Tyson em outra entrevista, muita gente aposta na loteria com probabilidade de acerto bem menor.)
Tyson - Se Apophis atingir a Terra, ele provavelmente vai bater no Oceano Pacífico e causar um trilhão de dólares em danos materiais ao longo da costa oeste da América do Norte. Mas ninguém tem que morrer. Nós vamos saber com antecedência onde e quando ele vai bater.
Mas eu gostaria de desviar o asteróide, se ele vier ao nosso encontro, em vez de fugir dele. E a única maneira de desviá-lo é garantir que você tenha cientistas e engenheiros em seu meio, porque são eles que vão, naturalmente, pensar desta forma.


Logo logo nós teremos livre acesso a Marte.

sábado, 15 de setembro de 2012


10/09/12
Insetos são ‘equipados’ e colocados em edifícios destroçados 

Cientistas da North Carolina State University vão aproveitar o comportamento das baratas para ajudar a salvar, por exemplo, vítimas de sismos. 

Os investigadores vão usar algumas características destes insetos, como a dureza, resistência e capacidade para caberem em espaços muito pequenos, e redirecioná-las para mini-robots, que podem procurar sobreviventes em edifícios que tenham sido destroçados. 

A inovação, porém, ainda não está pronta, por isso os investigadores estão a trabalhar numa alternativa: um sensor aplicado às baratas e que é operado, remotamente, por pessoas. 

O projeto, liderado por Alper Bozkurt, inclui colocar nas baratas de Madagáscar uma espécie de mochila com um pequeno chip, um transmissor e receptor sem fios e um microcontrolador. 

O microcontrolador está ligado às antenas e sensores das baratas. Localizado no abdómen, este sensor pode detectar movimento, para melhor resistir ao encontro com um predador. Quando o sensor é estimulado pelo microcontrolador, a barata pensa que há algum predador atrás dela e continua em frente. 

Por outro lado, estes sensores são ativados quando a barata está perante objetos imovíveis, alertando-o que não pode ir nessa direcção. Neste caso, e quando o estímulo não vem de um objeto mas a partir de uma pequena carga eléctrica, o inseto continua a reagir com uma mudança de percurso.
 

Isso mostra que baratas servem pra muito mais coisas do que imaginamos.

sábado, 1 de setembro de 2012


28/08/12
Que tal aprender Biologia escutando a voz de um personagem de TV famoso de graça ? 

Essa foi a iniciativa do duplador de desenhos animados, Wendel Bezerra, que fez um teste da Fundação Lemann e hoje narra algumas aulas de Biologia e outras disciplinas, disponíveis na internet. 

Wendel já duplou diversos personagens famosos como Bob Esponja e Edward Cullen (Crepúsculo). Nos videos de biologia, ele utiliza sua voz normal, a mesma utilizada na narração do personagem Goku, um lutador do desenho japonês Dragon Ball. 

A repercussão foi inesperada, muitas pessoas gostaram da idéia, assim, os videos tem alcançado milhares de visitas no site de compartilhamento de videos, You Tube. Um dos videos mais vistos é sobre Anatomia de um neurônio (khan Academy), com mais de 200 mil visualizações até então e com mais de 6 minutos de duração. 

A quantidade de material disponível online para estudar Biologia e outras disciplinas é imensurável, mas é preciso saber filtrar a fonte para não aprender errado. Dessa forma, a internet tem servido com um meio auxiliar na busca de conhecimento e aprofundamento. Mas não dispensa uma pesquisa na Biblioteca e discussão entre os amigos que é uma alternativa igualmente enriquecedora.
  
  
Acho que ver os videos dele pode ajudar muito os alunos, pois irão se familiarizar com a voz do lendário Goku.

sábado, 25 de agosto de 2012


20/08/12
Tudo indica que nossos livros de Biologia sofrerão nova revisão este ano, principalmente no que tange à diferenciação entre animais e vegetais. 

Afinal foi confirmada a capacidade da superfamília dos afídeos de realizar fotossíntese de acordo com o artigo “Light- induced electron transfer and ATP synthesis in a carotene synthesizing insect” publicado na revista Nature desta semana pelos pesquisadores franceses Jean Christophe Valmalette, Aviv Dombrovsky, Pierre Brat, Christian Mertz, Maria Capovilla e Alain Robichon. 

Como antecipado aqui no Hypescience em maio de 2010, a superfamília dos afídeos, que incluem os pulgões apresentam características no mínimo desconcertantes. Além dessa suspeição de captar DNA de outros seres, são capazes de realizar partenogênese. Em outras palavras as fêmeas dessa superfamília procriam sem precisar de machos que as fecundem. Assim, as fêmeas podem nascer grávidas e depois parir essas crias que também nascem grávidas, e assim sucessivamente. 

Agora, essa insólita superfamília figura também na galeria dos seres autotróficos. Em outras palavras são capazes de realizar a elaboração de nutrientes, de maneira análoga a das plantas, por meio de um processo muito similar ao da fotossíntese. 

De acordo com o citado artigo da Nature esses insetos são os únicos entre os animais capazes de sintetizar pigmentos chamados carotenoides. Pigmentos esses, típicos de vegetais, responsáveis pela regulação do sistema imunológico e também pela elaboração de grupos de vitaminas, tais como a vitamina A, por exemplo. 

Sem dúvida é uma adaptação singular do fenótipo dessa espécie de afídeo denominada “Pisum Acyrthosiphon”, com comportamento selecionado em condições de baixa temperatura e caracterizada por uma aparição notável de uma cor esverdeada que se altera para o amarelo-avermelhado. 

A produção desses pigmentos carotenoides envolvem genes bem específicos responsáveis, por exemplo, pela ação de cloroplastos típicos dos vegetais e surpreendentemente presente no genoma do pulgão, provavelmente por transferência lateral durante a evolução. 

A síntese abundante desses carotenoides em pulgões sugere um papel fisiológico importante e desconhecido muito além de suas clássicas propriedades antioxidantes. 

O artigo relata a captura de energia luminosa durante o processo metabólico por meio da foto transferência de elétrons induzida a partir de cromóforos excitados. Os potenciais de oxirredução das moléculas envolvidas neste processo seriam compatíveis com a redução do NAD + coenzima. Em, outras palavras, um sistema fotossintético – que mesmo sendo rudimentar – é capaz de utilizar esses elétrons foto-emitidos no mecanismo mitocondrial a fim de sintetizar moléculas de ATP, ou seja, fornecer energia útil para sustentar o organismo em seu ciclo vital. 

Além de modificar os conceitos clássicos em nossas aulas de Biologia essa descoberta promete elucidar, entre outros enigmas da ciência moderna, a forma como a vida tem evoluído em nosso planeta.

 Isso mostra que não apenas as plantas realizam fotossíntese, e ainda não conhemos tudo que o mundo tem a oferecer.

sábado, 11 de agosto de 2012


07/08/12
Para produzir som os elefantes usam o mesmo mecanismo que os seres humanos e muitos outros mamíferos. Esta é a conclusão a que chegou um grupo de cientistas que pela primeira vez teve oportunidade de analisar a produção de som nestes animais. 

Os elefantes comunicam entre si a grandes distâncias através de sons muito graves que estão abaixo da capacidade de audição do ouvido humano. Estes são catalogados como infra-sons, ondas sonoras extremamente graves, com frequências abaixo dos 20 hertz. 

Os investigadores tinham já especulado sobre a classe de ressonância que se pode produzir de duas formas na laringe. A primeira teoria era que os elefantes utilizam o controlo neuronal para provocarem espasmos nos músculos da laringe, tal como fazem os gatos quando ronronam. 

A segunda teoria era que os animais induzem um fluxo de ar constante que provoca vibrações nas cordas vocais, como sucede no caso dos humanos e em muitos outros mamíferos. 

O grupo liderado pelo cientista Christian Herbstk, do Departamento de Biologia Cognitiva da Universidade de Viena, teve a oportunidade de testar as hipóteses quando um elefante morreu por causas naturais no jardim zoológico de Berlim. 

Os investigadores observaram imagens a alta velocidade da laringe do elefante, entretanto removida, para comprovar se introduzindo um fluxo constante de ar as cordas vocais vibravam, isto, sem sinais nervosos. 

A partir do som que se produziu, a hipótese do ronronar foi descartada. Além disso, com os princípios físicos observados, este tipo de sons produz-se por vibração das cordas vocais, tal como na maior parte dos mamíferos. 

Artigo: How Low Can You Go? Physical Production Mechanism of Elephant Infrasonic Vocalizations

 
   Isto prova que outros seres também se comunicam de alguma coisa, ou seja, também "pensam". Como foi explicado acima, os elefantes se comunicam com sons graves, e esses sons podem alcançar grandes distancias.
 

sábado, 4 de agosto de 2012

Uroptychus cartesi (Crédito: SINC)
Crustáceo estava escondido no fundo do mar na Galiza 

Um caranguejo de cinco a sete centímetros de tamanho foi encontrado a mais de 1400 metros de profundidade nas montanhas submarinas em frente à costa da Galiza, em Espanha. O parente mais próximo desta espécie denominada Uroptychus cartesi pode ser encontrado no mar das Caraíbas, informa a AlphaGalileo. 

O crustáceo foi descoberto em Agosto de 2011 durante uma das expedições de campanha de investigação INDEMARES que estuda a montanha submarina Banco de Galicia. 

De acordo com o estudo, recentemente publicado no jornal Zootaxa, Uroptychus cartesi pertence a uma família que não é comum no Oceano Atlântico. É chamada a família de Chirostylidae e é apenas uma das quatro espécies que vivem na Europa. Três delas foram descobertas no final do século 19 e a quarta em 1976. Catorze podem ser encontradas nas Américas e existem mais de cem no Oceano Indo-Pacífico. 

Apesar de ter sido encontrado em frente à costa da Galiza, este crustáceo é exclusivo da parte mais oriental do Atlântico devido à maioria das suas características morfológicas: é diferente da espécie europeia principalmente por causa da sua forma e do número de espinhos na sua concha. No entanto, tem mais semelhanças com as espécies das Caraíbas, Uroptychus armatus. 

“A sua proximidade com a espécie das Caraíbas é lógica. Todas as espécies do Atlântico Norte têm características comuns e são susceptíveis de terem vindo da ancestralidade compartilhada que invadiu o Atlântico do Pacífico e do Oceano Índico alguns milhões de anos atrás”, explica Enrique Macpherson, co-autor do estudo e investigador do Centro para Estudos Avançados de Blanes (CEAB-CSIC). 

O pequeno caranguejo, de casca cor de laranja, vive normalmente em torno de corais profundos e “tende a ser abundante nas montanhas submarinas e desfiladeiros onde a pesca é ligeira”, explica Enrique Macpherson. 

Este crustáceo pertence ao grupo de caranguejos eremitas apesar de não partilhar qualquer semelhança com estes e normalmente alimenta-se de pequenos crustáceos e partículas em suspensão. 

O nome Uroptychus cartesi é atribuído à nova espécie devido à “contribuição significativa” que o investigador Joan Cartes do Instituto de Ciências Marinhas de Barcelona deu para o “conhecimento da fauna Ibérica no mar profundo”. Enrique MacPherson e colega Keiji Baba da Universidade de Kumamoto, Japão, realçam ainda que Cartes também foi o primeiro a reconhecer que os indivíduos desta espécie eram invulgares. 

Os seis exemplares capturados foram entregues ao Instituto de Ciências Marinhas de Barcelona e ao Museu Nacional de História Natural, em Paris, França.
 

   Isso mostra que mesmo conhecendo grande parte do mundo, ainda não descobrimos todas as coisas que o mundo tem a oferecer. Quantos segredos ainda nos aguardam?

31/07/12
Nova espécie de animal é conseguida através de manipulações genéticas 

Um investigador espanhol criou uma nova espécie animal, a mosca Drosophila synthetica. Trata-se da primeira espécie sintética uma vez que foi desenvolvida em laboratório através de manipulações genéticas, lê-se na revista científica PLoS ONE. 

Drosophila synthetica é uma derivação das espécies naturais de Drosophila melanogaster, a partir da qual Eduardo Moreno, do Instituto da Universidade de Berna, Suíça, criou um circuito genético tecnicamente complexo, com várias mutações. 

A nova espécie tem algumas alterações visíveis: é cega e tem olhos pequenos e cor-de-rosa, enquanto a original é um pouco maior e tem olhos vermelhos. Também as asas são diferentes no seu padrão ou o que é conhecido como veias. Este padrão é característico para diferenciar as diferentes espécies. 

Já existem animais com modificações genéticas mas esta é uma nova espécie por ser incapaz de reproduzir-se com a Drosophila original. Apenas se reproduz com as moscas que têm o mesmo genoma (sintético). 

Segundo Eduardo Moreno, a experiência foi realizada com moscas por “razões práticas”, já que é uma espécie com características genéticas bem conhecidas e, portanto, “fácil de manipular tecnicamente”. 

Explica o investigador que as espécies transgénicas e sintéticas partilham a mesma base, já que criadas com genes modificados ou com a introdução de genes de outras espécies. A diferença básica é que as transgénicas podem transferir as suas características às originais e reproduzir-se, e as sintéticas não. Já existem outras espécies sintéticas mas fora do mundo animal, como os pepinos e as bactérias. 

A vantagem das sintéticas é serem mais seguras do que as transgénicas pois não há o perigo de contaminarem as originais. Actualmente, existem alimentos e animais transgénicos que se adaptam melhor às condições climáticas. No entanto, ninguém ousa falar de aplicações práticas desta criação.

  Isso prova que a ciência ja está cada vez mais avançada, sendo capaz até mesmo de criar novas especies, por enquanto pode ter sido apenas uma mosca, mas o que garante que não será criado uma espécie nova, algo desconhecido.

sábado, 21 de julho de 2012


16/07/12
Neurocientistas basearam-se em dados científicos 

Afinal, talvez a necessidade que o polvo Paulo, o adivinhador dos resultados das selecções durante o Europeu de Futebol, tinha de opinar sobre os resultados tinha razão de ser. Segundo uma equipa de neurocientistas, incluindo o canadiano Philip Low, criador do iBrain – dispositivo que irá ajudar o físico Stephen Hawking a comunicar usando a mente –, declarou na semana passada, em Cambridge (Inglaterra) que alguns animais têm consciência, tal como os seres humanos. 

Os especialistas emitiram mesmo um comunicado formal sobre este assunto, durante a Francis Crick Memorial Conference, onde cientistas se reuniram para apresentar os últimos resultados científicos sobre estudos de interpretação da consciência. 
Após analisarem o sinal cerebral de alguns animais, como pássaros, macacos, elefantes, golfinhos, polvos, cães e gatos, por exemplo, encontraram semelhanças com o dos seres humanos. Durante a conferência, Philip Low avançou que “as evidências mostram que os seres humanos não são os únicos a apresentarem estados mentais, sentimentos, acções intencionais e inteligência”. 

Esta foi a primeira realizada até ao momento e focou-se na consciência em animais humanos e não humanos, com o objectivo de fornecer "uma perspectiva baseada unicamente em dados científicos".

 Eu acho importante trazer notícias assim para o blog pois ainda à muitas pessoas que mal tratam os animais de uma maneira muito ruim, chegando a ser desumano, animais também tem consciência e merecem ser tratados com respeito.

sábado, 14 de julho de 2012

Estudo mostra que extração do buriti permite conciliar geração de renda e conservação da espécie 

Uma das plantas mais generosas, da qual se aproveita tudo – da folha ao óleo –, o buriti alcançou um prestígio tal que é tratado como “árvore da vida”, sobretudo por quem lida com ele. Uma pesquisa de doutorado do Instituto de Biologia (IB) sobre essa planta mostrou que é possível, às comunidades rurais que fazem o extrativismo do seu fruto, conciliar geração de renda e ao mesmo tempo conservação da espécie. O autor do trabalho, o engenheiro florestal Maurício Bonesso Sampaio, mostrou que há um menor impacto desse tipo de extrativismo do que em outras atividades que agridem o meio ambiente, como o desmatamento por exemplo. 

Segundo verificou Maurício, em sua investigação feita da Unicamp (ele fez graduação e mestrado na Universidade de Brasília – UnB), mesmo sendo removidos até 70% dos frutos dessas populações, o impacto ainda não terá sido demasiado. “É que o extrativista não prejudica a semente pois, em sua atividade, apenas retira a polpa dos frutos. Como as sementes ficam intactas, se forem retornadas ao brejo pelos extrativistas, as populações de buriti seguirão o seu curso normal”, informa. 

O extrativismo de frutos, repara o pesquisador, é uma alternativa econômica mais sustentável do que outras formas de uso da terra e, apesar de não dispor de dados sobre o quanto o buriti movimenta em termos de cifras nas regiões de sua ocorrência, Maurício ouviu relatos de que muitas famílias conseguem obter uma renda mensal de até dez mil reais unicamente com a comercialização de produtos à sua base, lembrando que a safra dura um período de três ou quatro meses, que é o tempo de duração da safra. 

De acordo com o doutorando, atualmente as empresas são as que mais compram os produtos do buriti. E os doces caseiros são os que mais agradam, sendo produzidos e comercializados no Brasil pelos próprios extrativistas, moradores das zonas rurais. Entretanto, outras indústrias também estão interessadas no seu óleo, em geral do ramo cosmético. 

Há cenários contudo, reconhece ele, que podem pôr em risco o desenvolvimento do ciclo de vida do buriti. O estudo de Maurício – orientado pelo docente do IB Flávio Antonio Maës dos Santos – chegou a sugerir que um revés como o fogo é capaz de causar grandes impactos à produção de frutos e à manutenção das populações, caso a queimada ocorra no interior dos brejos. 

O fogo que acaba atingindo múltiplas áreas, mas em pontos diferentes, a cada dois, três anos, se queimar no mesmo local uma vez a cada dez anos, ou com uma frequência maior que isso, acabará inevitavelmente sendo nociva às populações de buriti, expõe o pesquisador. 

Ao avaliar então os efeitos do extrativismo comercial de frutos para as populações naturais de buriti, Maurício ainda averiguou que “uma das problemáticas que persiste é a colheita intensa, que poderá trazer efeitos indesejados, diminuindo as chances de nascerem mudas que irão regenerar as populações de buritis”, relata. “Não existe plantio comercial do buriti no país.” 

Se não houver regeneração, pode-se vislumbrar uma produção cada vez menor de frutos, e isso terá outros impactos, além dos ambientais, prevê o pesquisador. Os impactos poderão ser sociais, posto que muitas pessoas dependem desse extrativismo, mesmo para subsistência. 

O buriti (Mauritia flexuosa), conta ele, é mais encontrado na Amazônia, no Cerrado, no Pantanal e em uma pequena área da caatinga, e fora do Brasil, em países da América do Sul como Colômbia, Peru e Venezuela. No Estado de São Paulo, onde existe em menor proporção em uma pequena faixa do norte do Estado, está classificado como “Em Perigo” (EN) na lista oficial das espécies da flora do Estado de São Paulo ameaçadas de extinção (Resolução SMA 48 de 2004). 
A planta é uma palmeira da família das Arecaceae, à qual também pertencem os coqueiros e, embora presente em vastas populações, fica restrita às formações brejosas. Em algumas situações, conforme o professor Flávio Antonio Maës dos Santos, notam-se populações quase lineares seguindo cursos d’água, chamadas popularmente veredas. 

Peculiaridades 

Na tese, o pesquisador escreveu três capítulos. O primeiro faz alusão à ontogenia: como ocorrem modificações nas características morfológicas dos indivíduos ao longo do ciclo de vida, como a planta cresce e a partir de que tamanho produz frutos. 

Entre os achados, Maurício revelou que a produção de frutos pode iniciar quando a planta alcança perto de oito metros de altura (uma palmeira pode alcançar 30 metros). Outra coisa: ela vive centenas de anos e é nativa de Trinidad e Tobago e da América do Sul. 

No segundo capítulo, ele testou os efeitos do extrativismo de frutos e das queimadas (bastante frequentes no Cerrado) na ecologia de populações do buriti. Já no terceiro capítulo, avaliou os fatores sociais que influem no extrativismo de frutos e em outros usos nos brejos, como a criação de gado e porcos, e o estabelecimento de roças de arroz, milho, feijão, etc. 

Mas foi no trabalho de campo que Maurício realmente compreendeu a dinâmica do buriti. Para isso, visitou três regiões – duas no Estado de Tocantins (o Jalapão, ao leste do Estado e o nordeste, próximo a Itacajá e Santa Maria do Tocantins) e uma ao sul do Estado do Piauí, onde se concentram pequenas indústrias produtoras do doce de buriti. 

No primeiro ano, o doutorando passou quatro meses prospectando as áreas onde iria trabalhar e coletando dados para o terceiro capítulo da tese. Depois, a sua atuação passou a ser anual nas áreas estudadas. No caso do Jalapão, voltou de seis em seis meses, por encontrar terreno fértil para suas investigações. Em cada viagem, permanecia um mês no local. 

A sua maior dificuldade foi identificar populações de buriti que tivessem pouco impacto antrópico (provocado pelo homem no meio em que vive). Um dos requisitos para este estudo era contar com áreas pristinas (o mais conservadas possível). Este foi o grande desafio, menciona Maurício. 

Em muitos momentos, o engenheiro florestal requereu apoio das ONGs Pequi (Pesquisa e Conservação do Cerrado) e ISPN (Instituto Sociedade, População e Natureza). E, no trabalho de campo, teve colaborações dos próprios extrativistas – especialmente de um técnico da Emater, no sul do Piauí – e do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins). 

No capítulo envolvendo a parte social, ele recebeu ajuda das pesquisadoras Tamara Ticktin, da University of Hawai’i at Manoa, que estuda os efeitos do extrativismo de produtos florestais não madeireiros, e de Cristiana Seixas, do Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam). 

De acordo com o professor Flávio, a tese de Maurício converge com uma série de trabalhos da linha de pesquisa de Ecologia de Populações de Plantas do IB, desenvolvidos há mais de duas décadas no Departamento de Biologia Vegetal. 
Dentro dessa linha, os estudos sobre os efeitos da exploração sobre populações de plantas tiveram início graças a uma demanda de pós-graduandos a partir de 1995, relacionada ao impacto da exploração madeireira de espécies arbóreas na Amazônia. 

A seguir, passou a incluir a exploração de produtos florestais não madeireiros, como a pesquisa de Maurício e de outra doutoranda, Cristina Baldauf, que engrossou a iniciativa estudando a janaguba, uma espécie arbórea vista no Cerrado. 

“O trabalho de Maurício vai na direção de conjugar muitas variáveis e fazer análise de um componente social ligado a essa exploração. Ao mesmo tempo, tentou casar isso com a avaliação dos modelos de dinâmica: como as populações estão reagindo a essa exploração. É extremamente difícil encontrar na literatura pesquisas juntando essas abordagens em torno de um ponto comum”, realça o orientador. 

Engenheiro florestal desenvolve duas cartilhas 

A experiência obtida no campo de trabalho balizou Maurício a conceber duas cartilhas para as populações rurais que moram perto das áreas de brejo e que praticam o extrativismo de buriti. 

As cartilhas são Boas Práticas de Manejo para o Extrativismo Sustentável do Buriti, que teve apoio do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN); e Boas Práticas de Manejo para o Extrativismo Sustentável do Capim Dourado e do Buriti, produzida em parceria com os pesquisadores Isabel Schmidt, Isabel Figueiredo e Paulo Sano, analisando o capim dourado do Jalapão. 

Uma cartilha aborda o fruto e a outra as folhas do buriti, que fornecem uma fibra muito empregada no artesanato do capim dourado. Maurício inclusive avaliou o impacto do extrativismo dessas folhas. 

Cerca de mil exemplares foram distribuídos pelo ISPN para agroextrativistas do Cerrado. A expectativa é que os resultados contribuam para que essas comunidades continuem praticando o extrativismo, gerando renda e melhorando a sua distribuição e o acesso das pessoas à economia local. 

Para Flávio, um dos pontos a ser ressaltado é que a extração é familiar, feita por pequenos grupos. Não é uma exploração intensiva, esclarece, porém falta apoio a essas pessoas e capacitação. “Se nutrirmos a ideia de que é possível criar uma economia mais vigorosa nessas regiões, as populações de buritis e as extrativistas poderão sofrer muito com isso.” 

■ Publicação 

Tese: “Ecologia, manejo e conservação do buriti (Mauritia flexuosa; Arecaceae) nos brejos do Brasil Central” 
Autor: Maurício Bonesso Sampaio 
Orientador: Flávio Antonio Maës dos Santos 
Unidade: Instituto de Biologia (IB) 
Financiamento: CNPq e Fapesp 
Texto: Isabel Gardenal 
Fotos: Maurício Bonesso Sampaio, Antoninho Perri 
Edição de Imagens: Tulio Chagas


Fonte:http://biologias.com/noticias/1244/os-muitos-frutos-da-arvore-da-vida-

Isso mostra como é importante preservar arvores desse tipo que, além de produzir renda, ajudam a conservar uma espécie.