sábado, 25 de agosto de 2012


20/08/12
Tudo indica que nossos livros de Biologia sofrerão nova revisão este ano, principalmente no que tange à diferenciação entre animais e vegetais. 

Afinal foi confirmada a capacidade da superfamília dos afídeos de realizar fotossíntese de acordo com o artigo “Light- induced electron transfer and ATP synthesis in a carotene synthesizing insect” publicado na revista Nature desta semana pelos pesquisadores franceses Jean Christophe Valmalette, Aviv Dombrovsky, Pierre Brat, Christian Mertz, Maria Capovilla e Alain Robichon. 

Como antecipado aqui no Hypescience em maio de 2010, a superfamília dos afídeos, que incluem os pulgões apresentam características no mínimo desconcertantes. Além dessa suspeição de captar DNA de outros seres, são capazes de realizar partenogênese. Em outras palavras as fêmeas dessa superfamília procriam sem precisar de machos que as fecundem. Assim, as fêmeas podem nascer grávidas e depois parir essas crias que também nascem grávidas, e assim sucessivamente. 

Agora, essa insólita superfamília figura também na galeria dos seres autotróficos. Em outras palavras são capazes de realizar a elaboração de nutrientes, de maneira análoga a das plantas, por meio de um processo muito similar ao da fotossíntese. 

De acordo com o citado artigo da Nature esses insetos são os únicos entre os animais capazes de sintetizar pigmentos chamados carotenoides. Pigmentos esses, típicos de vegetais, responsáveis pela regulação do sistema imunológico e também pela elaboração de grupos de vitaminas, tais como a vitamina A, por exemplo. 

Sem dúvida é uma adaptação singular do fenótipo dessa espécie de afídeo denominada “Pisum Acyrthosiphon”, com comportamento selecionado em condições de baixa temperatura e caracterizada por uma aparição notável de uma cor esverdeada que se altera para o amarelo-avermelhado. 

A produção desses pigmentos carotenoides envolvem genes bem específicos responsáveis, por exemplo, pela ação de cloroplastos típicos dos vegetais e surpreendentemente presente no genoma do pulgão, provavelmente por transferência lateral durante a evolução. 

A síntese abundante desses carotenoides em pulgões sugere um papel fisiológico importante e desconhecido muito além de suas clássicas propriedades antioxidantes. 

O artigo relata a captura de energia luminosa durante o processo metabólico por meio da foto transferência de elétrons induzida a partir de cromóforos excitados. Os potenciais de oxirredução das moléculas envolvidas neste processo seriam compatíveis com a redução do NAD + coenzima. Em, outras palavras, um sistema fotossintético – que mesmo sendo rudimentar – é capaz de utilizar esses elétrons foto-emitidos no mecanismo mitocondrial a fim de sintetizar moléculas de ATP, ou seja, fornecer energia útil para sustentar o organismo em seu ciclo vital. 

Além de modificar os conceitos clássicos em nossas aulas de Biologia essa descoberta promete elucidar, entre outros enigmas da ciência moderna, a forma como a vida tem evoluído em nosso planeta.

 Isso mostra que não apenas as plantas realizam fotossíntese, e ainda não conhemos tudo que o mundo tem a oferecer.

sábado, 11 de agosto de 2012


07/08/12
Para produzir som os elefantes usam o mesmo mecanismo que os seres humanos e muitos outros mamíferos. Esta é a conclusão a que chegou um grupo de cientistas que pela primeira vez teve oportunidade de analisar a produção de som nestes animais. 

Os elefantes comunicam entre si a grandes distâncias através de sons muito graves que estão abaixo da capacidade de audição do ouvido humano. Estes são catalogados como infra-sons, ondas sonoras extremamente graves, com frequências abaixo dos 20 hertz. 

Os investigadores tinham já especulado sobre a classe de ressonância que se pode produzir de duas formas na laringe. A primeira teoria era que os elefantes utilizam o controlo neuronal para provocarem espasmos nos músculos da laringe, tal como fazem os gatos quando ronronam. 

A segunda teoria era que os animais induzem um fluxo de ar constante que provoca vibrações nas cordas vocais, como sucede no caso dos humanos e em muitos outros mamíferos. 

O grupo liderado pelo cientista Christian Herbstk, do Departamento de Biologia Cognitiva da Universidade de Viena, teve a oportunidade de testar as hipóteses quando um elefante morreu por causas naturais no jardim zoológico de Berlim. 

Os investigadores observaram imagens a alta velocidade da laringe do elefante, entretanto removida, para comprovar se introduzindo um fluxo constante de ar as cordas vocais vibravam, isto, sem sinais nervosos. 

A partir do som que se produziu, a hipótese do ronronar foi descartada. Além disso, com os princípios físicos observados, este tipo de sons produz-se por vibração das cordas vocais, tal como na maior parte dos mamíferos. 

Artigo: How Low Can You Go? Physical Production Mechanism of Elephant Infrasonic Vocalizations

 
   Isto prova que outros seres também se comunicam de alguma coisa, ou seja, também "pensam". Como foi explicado acima, os elefantes se comunicam com sons graves, e esses sons podem alcançar grandes distancias.
 

sábado, 4 de agosto de 2012

Uroptychus cartesi (Crédito: SINC)
Crustáceo estava escondido no fundo do mar na Galiza 

Um caranguejo de cinco a sete centímetros de tamanho foi encontrado a mais de 1400 metros de profundidade nas montanhas submarinas em frente à costa da Galiza, em Espanha. O parente mais próximo desta espécie denominada Uroptychus cartesi pode ser encontrado no mar das Caraíbas, informa a AlphaGalileo. 

O crustáceo foi descoberto em Agosto de 2011 durante uma das expedições de campanha de investigação INDEMARES que estuda a montanha submarina Banco de Galicia. 

De acordo com o estudo, recentemente publicado no jornal Zootaxa, Uroptychus cartesi pertence a uma família que não é comum no Oceano Atlântico. É chamada a família de Chirostylidae e é apenas uma das quatro espécies que vivem na Europa. Três delas foram descobertas no final do século 19 e a quarta em 1976. Catorze podem ser encontradas nas Américas e existem mais de cem no Oceano Indo-Pacífico. 

Apesar de ter sido encontrado em frente à costa da Galiza, este crustáceo é exclusivo da parte mais oriental do Atlântico devido à maioria das suas características morfológicas: é diferente da espécie europeia principalmente por causa da sua forma e do número de espinhos na sua concha. No entanto, tem mais semelhanças com as espécies das Caraíbas, Uroptychus armatus. 

“A sua proximidade com a espécie das Caraíbas é lógica. Todas as espécies do Atlântico Norte têm características comuns e são susceptíveis de terem vindo da ancestralidade compartilhada que invadiu o Atlântico do Pacífico e do Oceano Índico alguns milhões de anos atrás”, explica Enrique Macpherson, co-autor do estudo e investigador do Centro para Estudos Avançados de Blanes (CEAB-CSIC). 

O pequeno caranguejo, de casca cor de laranja, vive normalmente em torno de corais profundos e “tende a ser abundante nas montanhas submarinas e desfiladeiros onde a pesca é ligeira”, explica Enrique Macpherson. 

Este crustáceo pertence ao grupo de caranguejos eremitas apesar de não partilhar qualquer semelhança com estes e normalmente alimenta-se de pequenos crustáceos e partículas em suspensão. 

O nome Uroptychus cartesi é atribuído à nova espécie devido à “contribuição significativa” que o investigador Joan Cartes do Instituto de Ciências Marinhas de Barcelona deu para o “conhecimento da fauna Ibérica no mar profundo”. Enrique MacPherson e colega Keiji Baba da Universidade de Kumamoto, Japão, realçam ainda que Cartes também foi o primeiro a reconhecer que os indivíduos desta espécie eram invulgares. 

Os seis exemplares capturados foram entregues ao Instituto de Ciências Marinhas de Barcelona e ao Museu Nacional de História Natural, em Paris, França.
 

   Isso mostra que mesmo conhecendo grande parte do mundo, ainda não descobrimos todas as coisas que o mundo tem a oferecer. Quantos segredos ainda nos aguardam?

31/07/12
Nova espécie de animal é conseguida através de manipulações genéticas 

Um investigador espanhol criou uma nova espécie animal, a mosca Drosophila synthetica. Trata-se da primeira espécie sintética uma vez que foi desenvolvida em laboratório através de manipulações genéticas, lê-se na revista científica PLoS ONE. 

Drosophila synthetica é uma derivação das espécies naturais de Drosophila melanogaster, a partir da qual Eduardo Moreno, do Instituto da Universidade de Berna, Suíça, criou um circuito genético tecnicamente complexo, com várias mutações. 

A nova espécie tem algumas alterações visíveis: é cega e tem olhos pequenos e cor-de-rosa, enquanto a original é um pouco maior e tem olhos vermelhos. Também as asas são diferentes no seu padrão ou o que é conhecido como veias. Este padrão é característico para diferenciar as diferentes espécies. 

Já existem animais com modificações genéticas mas esta é uma nova espécie por ser incapaz de reproduzir-se com a Drosophila original. Apenas se reproduz com as moscas que têm o mesmo genoma (sintético). 

Segundo Eduardo Moreno, a experiência foi realizada com moscas por “razões práticas”, já que é uma espécie com características genéticas bem conhecidas e, portanto, “fácil de manipular tecnicamente”. 

Explica o investigador que as espécies transgénicas e sintéticas partilham a mesma base, já que criadas com genes modificados ou com a introdução de genes de outras espécies. A diferença básica é que as transgénicas podem transferir as suas características às originais e reproduzir-se, e as sintéticas não. Já existem outras espécies sintéticas mas fora do mundo animal, como os pepinos e as bactérias. 

A vantagem das sintéticas é serem mais seguras do que as transgénicas pois não há o perigo de contaminarem as originais. Actualmente, existem alimentos e animais transgénicos que se adaptam melhor às condições climáticas. No entanto, ninguém ousa falar de aplicações práticas desta criação.

  Isso prova que a ciência ja está cada vez mais avançada, sendo capaz até mesmo de criar novas especies, por enquanto pode ter sido apenas uma mosca, mas o que garante que não será criado uma espécie nova, algo desconhecido.